Postado em 05/02/2019

Ministério Público paulista denuncia 53 policiais por ligação com PCC

Segundo o MP, os policiais denunciados permitiam o tráfico de drogas no território abrangido pelo batalhão e passaram a integrar o PCC.

Ministério Público paulista denuncia 53 policiais por ligação com PCC

O Ministério Público do Estado de São Paulo (MPSP) denunciou 53 policiais militares (PMs) acusados de ter ligação e favorecer a facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC). De acordo com a denúncia, apresentada nesta segunda-feira (4), os PMs eram integrantes do 22º Batalhão da Polícia Militar, no Jardim Marajoara, zona sul de São Paulo. Eles foram alvo da Operação Ubirajara, deflagrada em dezembro do ano passado.

Segundo o Ministério Público, os policiais denunciados permitiam o tráfico de drogas no território abrangido pelo batalhão e passaram a integrar o PCC. Na denúncia, o MPSP diz ainda que os policiais praticaram diversos ilícitos, como concussão (crime praticado por funcionário público, em que é exigida vantagem pessoal indevida), corrupção passiva, falsidade ideológica, violação de sigilo funcional e crime de associação ao tráfico de drogas.

“As investigações começaram com o recebimento de um relato anônimo que deu detalhes sobre como os policiais militares envolvidos no esquema apreenderam grande quantidade de drogas e passaram a negociar com um traficante local, exigindo dinheiro para evitar a prisão em flagrante,e apontar uma adolescente como responsável pelo crime”, destaca o MPSP em nota.

A Operação Ubirajara colheu provas de mais de 82 mil ligações telefônicas interceptadas, documentos e outros tipos de material, que revelaram que não se tratava de um caso isolado, e sim um esquema de corrupção sistêmico.

"O papel dos policiais militares dentro da organização criminosa também era claro: não reprimir a prática do delito de tráfico, bem como facilitá-lo, não passando viatura policial próximo aos pontos de venda, informando acerca de alguma operação policial pelo local e até mesmo alterando a verdade em documentos públicos para que não ocorresse apreensão de droga ou a prisão dos traficantes", diz o promotor na denúncia.

A Secretaria de Segurança Pública foi contatada, mas ainda não se manifestou.



Fonte: Agência Brasil